domingo, 29 de novembro de 2009

"narinas" 29.11.09

o uso da ausência que prossegue pela janela anestesia as cenas desta sala. A fumaça aparece como recuo do sangue. Isso deitado a minha frente faz das minhas mãos o erro de talvez estar ali. O cheiro dele esta desaparecendo, quem esta ali? Sou eu ou ele? Os ratos que rastejavam tão perto do limiar da nossa existência agora são borrões de sangue. Nunca pensei que sangue com vodka seria tão bom. O que Kafka pensaria ao ver o semblante de palidez sarcástica nesta sala, não há barata, há alucinações como das bruxas de Macbeth. Limpo o suco que escorre das minhas narinas, ando pela sala, meus pés passam como vulto paranóico. Por que matamos aquela pessoa? O gosto do sangue humano não é tão diferente quanto dos ratos que moram nas fretas desta sala. Um som estridente se aproxima do meu descuido, algo penetra a sala. Da janela vejo uma batida de carro, acho que todos já estavam mortos antes do impacto. Por que a violência se torna motivo de tantos espectadores?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"ruínas"


foto das ruínas da ferrovia
2009

sábado, 7 de novembro de 2009

"dia"

Foto: "dia"
2008

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

sujeito eu, vc... alguem???


foto: "rosto"
2009

sábado, 26 de setembro de 2009

armas de fogo


foto: "armas de fogo"
ano: 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

cúmplice - 14.09.09

o semblante efêmero desenha seu rosto, deriva como qualquer. Sua boca cerrada treme gritos que não sabe como existem. Ele esta deitado e pede uma nova bebida, algo para alimentar sua vaga mente, e diminuir alguma dor que sente, não sabe onde. Seu rosto pergunta com sangue o próprio nome. Não sei responder o que ele pronuncia entre pensamentos altos. O canto delicado da voz infantil corta as paredes da sala,as rachaduras se abrem como os cortes dos seus lábios. Ouço em silêncio uma poesia de Borges. Ele levanta na tentativa de brincar com os pés sob suas manchas. Suas manchas lhe deixa vivo na margem constante de sua ausência. Brinca e brinca com os pés, mantém os olhos fechados, prefere assim, tenta sair do chão, desliza os pés pelo sangue, a única coisa que pode ser dele, ou não. Fico apoiado na janela, o cigarro acesso faz parecer imagens poéticas do céu. A bebida que ele toma eu também aceito, sou cúmplice do que não sei.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

a parede - 07.09.09

foto: "janela"
2007

é uma febre diária, seu suor faz em mim tremer sob o que nunca senti, o hálito de Baudelaire saliva nas minhas entranhas a morte do inseto no peito dele. Este alguém comprime seu corpo no banheiro, faz do branco dos azulejos desenhos de sangue, rasgos que me lembram Pollock, ou até mesmo Modigliani. Meus olhos ficam paralisados com a melodia contraditória que transpira pelas partículas de um ar cada vez mais denso. Levo novamente o gole de uma bebida até seu rosto pálido, somente assim que a dor passa. Ele tenta se levantar, escorrega e bate o joelho cortado na lixeira coberta de restos, não sei do que. Volto para a janela, lembro de uma filme que assisti ontem, “não se mova”, vejo a personagem principal nele, a maquiagem borrada explicita um vida seguida de estupros, o desejo é violência. Ele volta para a sala com as mão entre emendas na parede, se apóia. Erguido ele canta alguma musica de Vinicius, não consigo reconhecer, sua boca esta rente a parede ainda não lavada, se esqueceu de limpa-la. Cai de costas, respira e fecha os olhos, então alimenta seu rosto de algum sorriso tímido para o nada.