o uso da ausência que prossegue pela janela anestesia as cenas desta sala. A fumaça aparece como recuo do sangue. Isso deitado a minha frente faz das minhas mãos o erro de talvez estar ali. O cheiro dele esta desaparecendo, quem esta ali? Sou eu ou ele? Os ratos que rastejavam tão perto do limiar da nossa existência agora são borrões de sangue. Nunca pensei que sangue com vodka seria tão bom. O que Kafka pensaria ao ver o semblante de palidez sarcástica nesta sala, não há barata, há alucinações como das bruxas de Macbeth. Limpo o suco que escorre das minhas narinas, ando pela sala, meus pés passam como vulto paranóico. Por que matamos aquela pessoa? O gosto do sangue humano não é tão diferente quanto dos ratos que moram nas fretas desta sala. Um som estridente se aproxima do meu descuido, algo penetra a sala. Da janela vejo uma batida de carro, acho que todos já estavam mortos antes do impacto. Por que a violência se torna motivo de tantos espectadores?
:: Participação na Bienal SESC de Dança 2009
12 horas atrás



